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CASA MARTELLI

Em obras de restauração, a centenária Casa Martelli é a mais nova integrante da rota cultural e turística Caminho dos Moinhos.

História

HISTÓRICO

Em 1910, quando o casal Alexio Angelo Martelli e Elisabetta Da Ré saiu de Faria Lemos, em Bento Gonçalves, e construiu sua casa de madeira alicerçada por pedras talhadas cuidadosamente sobrepostas, com 9,74 metros de altura e 334m² de área, não imaginava que mais de 100 anos depois o local se tornaria sinônimo de preservação histórica e arquitetônica. A “Casa Martelli”, como ficou conhecida, é uma construção de característica italiana edificada com materiais de alta resistência, como madeira Canjerana, sendo as tábuas serradas inteiras, sem emendas no comprimento. As pedras do porão foram feitas a partir de blocos inteiros, talhadas à mão. A cozinha de alvenaria, fica separada do resto da casa por uma varanda aberta. Ao lado direito da residência corre um pequeno riacho. As pedras da propriedade foram talhadas e cuidadosamente sobrepostas através de um trabalho especializado de pedreiros oriundos de Putinga, cidade vizinha à Anta Gorda. Com seus arcos formaram as janelas e no jardim flores como jasmim, crista de galo e begônia foram plantadas. Assim como o imponente pé de noz pecã, que continua a produzir frutos, encantam a todos que passam pela propriedade. Foi por sua contribuição frente à história da imigração local e pelas possibilidades que ainda poderia oferecer, que um projeto de restauro foi proposto, com o objetivo de transformar a casa principal, de madeira, em uma bucólica hospedagem na zona rural. Uma nova varanda, conecta a casa à cozinha, que teve grande parte de sua estrutura preservada e apta a receber equipamentos modernos, prometendo devolver funcionalidade ao espaço, sem que as características iniciais sejam perdidas. 

Características

A casa possui as seguintes características: no primeiro e segundo piso possui três quartos cada. Na casa eram feitos todos os trabalhos manuais (cestos, chapéus crochês, colchões de capim, lã de ovelha e algodão cru, etc.), utilizados no dia a dia da família. Na propriedade, uma fonte (vertedouro) que nunca secou, garantia água potável para a família. A cozinha feita de tijolos recebeu a primeira pintura pela técnica de escarola, depois plástica e o teto com pintura a óleo azul. A casa de madeira nunca teve pintura. Com exceção do porão e do anexo (cozinha), que possuem paredes de alvenaria de pedras e tijolos, respectivamente, o restante das paredes é em madeira, assim como esquadrias, pilares e estrutura de telhado. Estas madeiras, são compostas por tábuas inteiras e extremamente recebem acabamento com mata-junta e pintura. As internas não possuem pintura. Já as paredes do anexo, em alvenaria de tijolos, possuem reboco com pintura. No porão, a alvenaria de pedra, que também serve como arrimo é aparente e um dos pilares é composto por alvenaria de tijolos. A estrutura do telhado possui tesouras de madeira e telhas de zinco, com exceção da parte anexa, onde há telhas romanas cerâmicas. O forro de madeira encontra-se em bom estado de conservação, apresentando patologias somente em um dos cômodos da residência. As esquadrias em madeira estão em bom estado de conservação. Algumas esquadrias externas apresentam patologias, devidos à exposição às intempéries e cupins. Existem várias esquadrias com ausência de vidros. Quanto ao piso, o assoalho de madeira está em bom estado de conservação, com exceção em um dos cômodos já mencionados, onde a exposição à umidade e agentes biológicos modificou consideravelmente a estrutura. No porão, o chão é de terra batida.

Restauro da Casa Martelli

ETAPAS REALIZADAS

Primeira Etapa (Pró-Cultura RS)

A primeira fase do projeto contemplou melhorias na casa principal, de madeira e no porão da Casa Martelli para instalação de um restaurante com capacidade para 50 pessoas. Os oito quartos da edificação abrem possibilidade para hospedagem, oferecendo ao público uma experiência bucólica de vivência no passado. A obra de restauro deste espaço foi realizada com financiamento do PRÓ-CULTURA, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, que consistiu na limpeza do imóvel, lixamento e escovação das madeiras, das antigas aberturas, do alinhamento da estrutura e do piso e na substituição de algumas tábuas e de parte do telhado, está finalizada. “Removemos a madeira danificada nas paredes e substituímos por tábuas do mesmo tipo e espessura, assim como o telhado em aluzinco”, explica Ismael Rosset, arquiteto responsável pelo acompanhamento técnico local da obra. Já o “passadiço”, espaço que separava a cozinha da sala e dos quartos – uma característica da arquitetura colonial italiana para a proteção contra possíveis incêndios – foi removido para dar espaço a uma nova estrutura de acesso, mantendo a sua tipologia original.  Testes de cor foram feitos para que o corpo da casa voltasse a ter a tonalidade rosada original e suas aberturas em vermelho. Marcello Ferraz, arquiteto da Brasil Arquitetura, escritório de São Paulo responsável pelo projeto de restauro, falou sobre a pintura. “O projeto visa o que será a casa, não o que já foi. É a liberdade das novas propostas. Mas como o tom rosado é algo que se quer respeitar, será mantido. O contraste da cor rosa com o verde da natureza é uma decisão de projeto que dialoga com o passado”, analisa.  • Patrocínio Master: Diamaju Agrícola • Patrocínio: Agraz Refrigeração e Agrodalla • Realização: AAMoinhos • Financiamento: PRÓ-CULTURA, Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Segunda Etapa (Lei Rouanet)

Visita Técnica e Preparação do Espaço O arquiteto Marcelo Ferraz realizou visita técnica junto à equipe responsável, orientando os encaminhamentos do restauro. Foram feitas limpezas, demolições e remoções necessárias para adequação do espaço, incluindo a preparação para acessibilidade e a reorganização dos acessos. Estrutura e Infraestrutura A obra avançou com a concretagem da laje do piso térreo, instalação de vigas, muros de arrimo e colunas de ferro fundido. Também foram implantadas as redes de água, esgoto e energia, consolidando a base estrutural da casa sem perder de vista o respeito ao traçado original. Preservação de Elementos Históricos (em andamento) Partes significativas foram retiradas para tratamento e posterior reintegração, como o forro da cozinha com sua pintura azul original. Elementos danificados, como o guarda-corpo, estão sendo refeitos com fidelidade às formas originais, preservando a memória do edifício. • Lei de Incentivo à Cultura • Pronac 237853  • Patrocínio master: Diamaju Agrícola • Realização: AAMoinhos e Ministério da Cultura - Governo Federal: Do lado do povo brasileiro.

Antes da restauração
Casa Martelli restaurada

FOTOS

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Mapa de Localização

Estr. Di Domenico - Anta Gorda, RS, 95980-000

realização

AAMoinhos

Patrocínio